domingo, 22 de janeiro de 2012

A praga do preconceito linguístico


Ontem terminei de ler um livro do linguista e pesquisador Marco Bagno, Preconceito Linguístico, recomendado para todos os cursos superiores de Letras e Pedagogias deste país e fechei a última página mais consciente do meu papel como gente. Sério, eu escolhi estudar Letras, já comentei que sou estudante de Letras Língua Portuguesa na UFPE? Se não, “digo” agora, pois sou e a cada passo que dou adiante me convenço de que escolhi certo. Eu não sou santa, muitos menos 100% correta e já tive vontade de mandar algumas pessoas literalmente para o inferno, mas fico P da vida com as injustiças, dá vontade de esganar quem faz isso. Lógico que nem todos cometem injustiças de propósito, eu já fiz isso e me senti péssima depois, eu falo aqui daqueles que fazem isso por gosto, que sentem prazer em ignorar e rebaixar os outros, seja por qual motivo for. Bagno descreve muito bem todos os mitos em cima da língua portuguesa falada no Brasil e rebate com argumentos fundamentados em pesquisas científicas todas as “asneiras” de gramáticos tradicionalistas, asneiras essas preconceituosas que não se remete apenas ao modo de falar dos brasileiros, mas sim aos povos de certas regiões do país, algumas classes trabalhistas e pessoas que vivem em zonas rurais, ou seja, preconceito social.
Ora, os professores de português existem para ensinar a norma culta da gramática, isto não significa dizer que devemos menosprezar quem não sabe falar “culto”, até porque nem todos têm acesso à escola e a gramática é apenas uma parte da língua, não é a língua. Então por que ridicularizar quem fala probrema ao invés de problema? Isto é um problema grave e muitos ainda não se deram conta disso.
Quando citei acima que escolhi o curso certo, me refiro ao meu modo de ver o mundo e ser professora e professor de português neste país é mais do que ensinar a gramática padrão da língua, é ser um agente propagador da consciência humana e social, sim, porque o preconceito social, ou melhor, o PRECONCEITO é uma praga que deve ser combatida, se as crianças e os jovens não aprendem isso em casa, vão ver que no seu meio social, a escola, isso é inadmissível (pelo menos deveria ser) e aprenderão que para viver em sociedade é preciso aceitar quem não é um igual. As pessoas não são iguais e o respeito ao diferente é essencial para a convivência com os outros.
Utopia minha? Que nada, quem ainda pensa assim está desatualizado e desconectado da vida, pois o sol nasce para todos e destino de todos é um só. Tem gente por aí que se acha superior e o é, na ignorância de viver.

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