Ontem terminei de ler um livro do linguista e pesquisador
Marco Bagno, Preconceito Linguístico, recomendado para todos os cursos
superiores de Letras e Pedagogias deste país e fechei a última página mais
consciente do meu papel como gente. Sério, eu escolhi estudar Letras, já comentei
que sou estudante de Letras Língua Portuguesa na UFPE? Se não, “digo” agora,
pois sou e a cada passo que dou adiante me convenço de que escolhi certo. Eu não
sou santa, muitos menos 100% correta e já tive vontade de mandar algumas
pessoas literalmente para o inferno, mas fico P da vida com as injustiças, dá
vontade de esganar quem faz isso. Lógico que nem todos cometem injustiças de propósito,
eu já fiz isso e me senti péssima depois, eu falo aqui daqueles que fazem isso
por gosto, que sentem prazer em ignorar e rebaixar os outros, seja por qual
motivo for. Bagno descreve muito bem todos os mitos em cima da língua
portuguesa falada no Brasil e rebate com argumentos fundamentados em pesquisas
científicas todas as “asneiras” de gramáticos tradicionalistas, asneiras essas
preconceituosas que não se remete apenas ao modo de falar dos brasileiros, mas
sim aos povos de certas regiões do país, algumas classes trabalhistas e pessoas
que vivem em zonas rurais, ou seja, preconceito social.
Ora, os professores de português existem para ensinar a
norma culta da gramática, isto não significa dizer que devemos menosprezar quem
não sabe falar “culto”, até porque nem todos têm acesso à escola e a gramática é
apenas uma parte da língua, não é a língua. Então por que ridicularizar quem fala
probrema ao invés de problema? Isto é um problema grave e muitos ainda não se
deram conta disso.
Quando citei acima que escolhi o curso certo, me refiro ao
meu modo de ver o mundo e ser professora e professor de português neste país é
mais do que ensinar a gramática padrão da língua, é ser um agente propagador da
consciência humana e social, sim, porque o preconceito social, ou melhor, o
PRECONCEITO é uma praga que deve ser combatida, se as crianças e os jovens não
aprendem isso em casa, vão ver que no seu meio social, a escola, isso é inadmissível
(pelo menos deveria ser) e aprenderão que para viver em sociedade é preciso
aceitar quem não é um igual. As pessoas não são iguais e o respeito ao
diferente é essencial para a convivência com os outros.
Utopia minha? Que nada, quem ainda pensa assim está
desatualizado e desconectado da vida, pois o sol nasce para todos e destino de
todos é um só. Tem gente por aí que se acha superior e o é, na ignorância de
viver.

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